sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Bacanal

Está difícil começar esse texto, tem um ser desesperado aqui ao meu lado berrando que vai escrever essa história. Como esse cantinho aqui ainda é meu, vou fazer uma breve introdução e passar o teclado adiante e assim evitar uma morte por enforcamento com uma corrente de Santo Antônio.

A história que vem por aí não é apenas mais uma história, porque é completamente real, eu poderia até dizer ser essa uma daquelas histórias do amigo, do amigo, do amigo meu, mas a verdade não é essa. A história é dela, A Puta nossa de cada dia e com ela, a palavra.
− Vai Puta, digita aí vai, quero ver se é capaz de escrever um texto inteiro.

Oi.
Estou cansada dessa LC ficar contando de mim por aí e eu sempre calada, vendo a minha vida exposta nesse tal de blog. Se blog é diário, que cada um escreva o seu, né?
Não vou só reclamar, porque depois das minhas histórias pararem aqui, o número de clientes só vem crescendo e eu gostando dos lucros e do tamanho da coisa. O carro está cada vez mais perto de mim, só preciso agora ficar habilitada, mas isso depois a LC conta melhor.
Ao me ver em um blog, resolvi descobrir o que era isso, não foi paixão à primeira vista, na verdade, não foi paixão hora nenhuma; pulei logo para outra parte da internet, conheci o Orkut, as salas de bate-papo, os sites de putaria. (Como tem isso por aqui, avião.)
Navegando (é assim que se diz, né?)... Navegando pela internet, encontrei muita gente estranha, uns de verdade, outros tantos de mentira. Eu estou mais acostumada a pegar nas coisas, não que eu não goste de olhar, mas prefiro ver as pessoas, olhar nos olhos ou em outros lugares interessantes também.
Gostei, na verdade, adorei sites de relacionamento gay. O complicado foi tirar algumas fotos para mostrar tudo aquilo mostrado na cama para os clientes e não clientes.
Pedi ajuda das amigas e lá fui eu colocar tudo público.
Boca, aberta e fechada.
Peito, normal e na posição espanhola.
Bunda, arrebitada e apertada. (Vendo a foto eu tive certeza – minha bunda é enorme.)
Buceta, essa foi de tudo quanto é jeito. (Pode até dar prazer, mas é feia, né?)
Barriga, aquela que quase não tenho. (Fiz regime, tá?)
O problema foi por isso tudo em picadinhos. Para evitar problemas ou reconhecimento desnecessário, eu coloquei tudo separado. Peito, barriga e buceta em uma só foto? Nunca.
Tirei fotos do rosto, mas bem poucas.
As pessoas fazem assim também, preparam fotos bem produzidas. Como alguém se produz pelado eu não sei, mas tive que aprender rápido.
Os pedidos de informações só pioravam minha dificuldade de falar com as pessoas ali, precisei tirar medida de tudo e de novo: peito, bunda, barriga e buceta. Buceta? É, eu tive que medir minha buceta, nunca vi isso, mas também nunca estive nesse tipo de relacionamento.
Tudo medido, tudo nos conformes. Acho que o Santo Antônio não deve achar isso pecado. Vender não pode e eu já vendo, nesse caso, estou fazendo caridade, a mim e ao próximo, afinal, tenho que amar ao próximo como a mim mesma.

− Querida, isso está ficando mais longo do que os contos habituais, as pessoas não gostam de coisas compridas assim na internet.

Vamos ignorar essa LC, eu não sou blogueira e muito menos escritora, sou puta e adoro uma coisa grossa e comprida, quero dizer, grossa nem sempre, anal com coisa grossa é a morte.
Eu já estava bem familiarizada com o mundo das fotos e medidas, fiz várias amigas novas, umas mais gostosas, outras menos, muitos contatos telefônicos também. Marquei alguns encontros, todos muito bons, afinal, qualquer coisa é melhor do que a masturbação com webcam dizendo que estamos transando pela internet, prefiro um mundo mais prático.
Depois de algumas semanas nessa vida, aconteceu um fato muito interessante.
Recebi uma ligação em casa me chamando para um encontro.
“Ai, ai, ai, de quem é essa voz?”
Fiz de conta que lembrava da pessoa, mas eu nem poderia imaginar a cara. O papo foi rolando e ela me convidou para uma festinha a três, bacanal do bom mesmo. Três mulheres juntas e com muita vontade de sexo. PERFEITO (é assim que a LC faz? Exclamação não tem, só coloca tudo grandão, né?)
Ela continua dizendo que isso está grande aqui do meu lado, vou logo ao ponto.
Cheguei ao Shopping para esperar as moças, de longe vi um casal e pensei: “Se forem elas, eu não quero.”
No mesmo instante, vieram sorrindo falar comigo.
Papo vai, papo vem e o que era não quero virou um grande desejo de ir logo para a festa.
As três em um só carro. Eu ainda não tenho carro.
No carro mesmo começou a diversão, vidro insufilmado, uma no banco de trás sendo chupada por mim e a da frente só ouvindo gemidos, seria recompensada em breve, ali não havia espaço para isso, o máximo que fiz foi acariciar os seios siliconados dela, o que já foi bem gostoso.
Alisadas aqui e ali, CHEGAMOS.
No motel, entregamos os RGs, mas quando a recepcionista viu que estávamos em três proibiu nossa entrada. Disso que aceitariam até dez homens em um quarto, mas jamais três ou mais mulheres.
Minhas novas amigas quase bateram na mulher, sem sair do carro mesmo. Ficamos empacando a entrada de todos, a fila foi crescendo atrás de nós e os gritos de dentro do carro para fora comendo solto, como se não bastasse todo aquele alvoroço, viramos atração turística das camareiras, várias esticavam o pescoço para ver a cena; foi aí que vimos o melhor da noite, um casal entrando a pé no motel, de mãozinhas dadas, apaixonados, escondendo a cara tendo que esperar na rua, atrás de quatro carros. Fomos delicadamente convidadas a sair pelos pequeninos seguranças de trabuco nas mãos. O motel tinha um nome de Beije-me e não aceitava festa entre mulheres? Decepcionadas com tudo aquilo, acabamos resmungando por longos cinco minutos, até decidir um novo destino.
Paramos em um mercado, compramos uma garrafa de vodca, chupadinha daqui e de lá, mas não tinha espaço pra todo mundo naquele fusca, foi então que decidimos viajar aquela noite.
Fumamos o maior cigarro de maconha visto na minha vida, ainda que fosse o primeiro e provavelmente o último colocado em minha santa boquinha, parecia mais um charuto. Passeamos em Londres, pelo Buckingham; em Paris, conhecemos o Louvre; na Índia, dançamos com os elefantes e na Mongólia sentimos o frio congelar o vento que entrava pelo nariz.
Acordamos em plena Av. João Dias no bairro de Santo Amaro, tortas dentro daquele carrinho e com uma fome dos diabos.
Sim, foi um bacanal frustrado.
− Pronto LC, acabou sua chata, nem doeu.

Leitores amigos, ela é maluca, prometo não permitir novos escritos dela por aqui, as histórias dela eu mesma me encarrego de contar.

Beijos.

8 comentários:

Iara Maine disse...

Gostei mais da história tipo "ela". Só conte então, LC, as histórias que você participar.

:.tossan® disse...

Uma vez puta sempre puta... Adorei a história/desbafo, mas e as fotos?
Gostaria de ve-las. Bj

Unknown disse...

Meu deus! E não é que essa tal de Puta escreve??!
Impagável frutração esta, hein. Festinhas frustradas sempre acabam dando oportunidades para outras festas, não é mesmo? rs

:.tossan® disse...

Puxa eu sempre quiz comer uma puta de graça, e agora me oferecem, e eu não sei o que dizer!Rss.. Se fosse na minha cidade, por que não?
Veja bem sou um cara difícil hein! Demoraaado! ahahah... Brincadeirinha! Vc é muito gentil. Beijo

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Kate Zinha disse...

Fonix puta escreve mesmo, né?

mangapinto disse...

Belo e instigante seu texto, parabéns.

abraços - Mangarosa

Nilson Barcelli disse...

LC, manda as fotos dela... rsrs...
Querida amiga, vc veste qualquer pele e é sempre brilhante.
O texto é comprido, de facto, mas sabe bem lê-lo.
Bom fim de semana para vc e para a sua amiga...
Beijo (só para vc...)

Corpete disse...

Essa puta tem piada. Gostei.