Final de um dia quente, o mau cheiro do ônibus vem dele mesmo e da gente.
Tanto o ônibus como a gente esteve a fritar ao sol de um dia de trabalho.
Peões de obra a cochilar, em pé ou sentados, tanto faz, o importante é fechar as janelas da alma cansada.
Gente com a mão suja, segura no ferro para não cair, puxa a cordinha para saltar no próximo ponto, pega o “segurador” para se equilibrar e se desequilibra.
Uns caem para o lado da janela e babam nela, outros caem para o corredor e cambaleiam, bem poucos, mas engraçados e toscos, caem por cima uns dos outros.
A menina estafada finge dormir, e a que acaba de subir se equilibra sorridente, com sua perna torta, poucos dentes e uma mão a menos.
O farol amarela, o motorista corre, o farol vermelha, ele breca. “Tuc” é a batida da velhinha que não conseguiu se segurar e rolou até o pára-brisas.
Que fedor é esse?
Entra ela, no alto do seu salto, cheia de charme, toda alinhada e com uma delicada bolsa; cabelos escovados, maquiagem bem feita e corpo também, perfumada, sorridente às nove da noite. É puta! Só pode ser puta.
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Um comentário:
O cotiddiano e seus peersonagens colocados de maneira elegante e singular. Parabéns!!! bjus!!! Vc é fantástica!!!
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