terça-feira, 28 de outubro de 2008

Querendo amor

Dia desses, a doce puta resolveu se aventurar.
Novas formas, novas posições, para quem sabe, sentir novas emoções ou apenas um orgasmo que não viesse de sua própria mão.
Uma aventura por lugares conhecidos, mas em um formato novo.
No local de trabalho resolveu sentir prazer.
Ignorando a máxima de “onde se ganha o pão, não se come a carne”.
Queria carne, carne fresca e que se mexe.

O serviço era basicamente o mesmo, com o detalhe que dessa vez não haveria pagamento.
Vale a pena?
Inspirada, mas sem pretensão, se arrumou bela.
Como quase sempre, entre cores ela foi, se foi.
Linhas coloridas riscavam seu corpo de cima a baixo, ou de baixo a cima, depende de por onde queira você, e só você, começar.
Um tecido leve cobria tudo e mostrava ainda mais.
Detalhes de um corpo arredondado.
Sem músculo, sem formas forjadas, um corpo de mulher.
Pelos seios soltos, livres de qualquer ferramenta de tortura, o tecido escorregava.
Seguindo pela barriga, não perdoava qualquer ondinha, marcando até o umbigo.
Sem parar as listras, horizontais (sim ela pode usar horizontais) passavam pelo quadril, marcando perfeitamente as ondas bem formadas e de muitas formas naturais.
Chamar de silhueta é pudor demais. O que se via era tudo, uma deliciosa bunda.

No meio do expediente resolveu passear entre quartos e corredores.
Quem não estava a trabalho olhava, era inevitável admirar tanto balanço e com um lindo sorriso dando o retoque final.
Seu cabelo curtinho ainda balançava e exalava perfume, que superava as essências.
Tudo nela é cheiro.

Um certo filha da puta, portanto puto, a olhou diferente.
Soprou no ouvido dela:
― Quero você.
― Faça por merecer.
― E como faria isso?
― Me convença que você vale a pena – como uma dama, tímida, olhou para ele com olhinhos brilhantes, e sorriso de menina ― Eu quero que mereça.
― Isso seria só uma noite – ele precisava de garantias.
― Pode ser a vida inteira, para mim certamente será, porque minha imaginação é das melhores.
― Quero você, mas com você é difícil entender como poderia eu merecer algo.
Ela olhou no relógio da parede, não usava nenhum no pulso.
― Tenho um cliente agora. Esse é rápido, quinze minutos de oral, no máximo, faço ele gozar e volto, exatamente aqui.
― Aqui não, espero você na escada da adega.
― Lá estarei, mas se não for fazer por merecer, nem siga até lá – sempre sorrindo.

Ela fazia seu trabalho.
Ele pensava, andava, rodava, pensava.
Resolveu andar pelo puteiro, estava sem clientes nessa hora.
Saiu do prédio, rodeou aquelas paredes cinza.
Ficou surpreso ao olhar para a casa do caseiro.
A casa parecia saída de um conto de fadas.
Varandinha na frente, janelas com cortinas, casa cor de rosa.
A casa era contornada por um jardim, tinha flores por todos os lados.
Pegou a mais bela delas.

Quinze minutos passados ela chega.
Limpava a boca, bebia um chá verde e quente.
― Foi fácil dessa vez, rapidinho, mas meu piercing da língua estourou mais uma camisinha.
― Já falei para tirar essa porcaria daí.
― Fique tranqüilo, morrerei de amor e não de doença – olhou para ele meio de canto de olho.
― O que você tem aí atrás?
― Uma surpresa.
Com um sorriso de vitória ele mostrou a flor para ela e já puxou o corpo dela para junto dele, foi empurrado.
― Uma rosa?
― Sim, e esta é de um lugar novo para mim, logo aqui atrás, no jardim do caseiro.― Você perdeu. Tinha um jardim inteiro para me mostrar e preferiu me trazer uma rosa. Tchau. Vou pegar um cliente extra.

6 comentários:

Anônimo disse...

sabia que seus textos me dão vontade de pintar???

Anônimo disse...

Você é puta mesmo, né?
Suas palavras são tão reais. Só uma puta para falar disso tão bem.
Desculpe, mas querer encontrar o amor num puteiro é ser ingênua demais.
Ainda mais de um puto. Não acredito que uma puta possa achar o amor trabalhando, mas acredito que no fundo todas pensam que sim (vc tbm).

Carol Marques disse...

EEEEEEEEEEita, quanta insensibilidade aí em cima.
Por que uma puta não pode querer o amor? Ele supostamente não está em todos os lados? Por que não num puteiro?? Hunf...

Dinho Rocha. disse...

Léia, Léia...sempre me surpreedendo com seus textos...comecei a acompanhar "a puta" e estou me apaixonando...bjos e espero sua visita no buteco!!!

Riccardo Bianchini disse...

peloamordedeus

td isso sai dessa sua kbcinha msm? rsrs

Luigi disse...

Léia, adorei o texto.....
Parabénsssssss!
bjussss
=)