Festas de final de ano chegando.
É comemoração disso e daquilo, nossa personagem foi convidada por uma amiga para um evento super VIP.
De visual discreto e adequado, foi.
Chegou antes, ficou logo abaixo de uma saída de ar condicionado, enquanto esperava a amiga. Logo nos dois primeiros segundos, ficou gelada feito um frango resfriado, franga nesse caso. Felizmente, estava de sutiã, porque os faróis acenderam automaticamente com toda aquela ventania.
Cruza os braços enquanto espera. Cabelos voam.
Um segurança se aproxima.
“Pronto me reconheceu e vai me mandar embora dizendo que aqui não é lugar para mim.”
― Boa noite senhora, sugiro que aguarde nos sofás logo adiante, para que não sinta todo esse vento.
― A é? Pra lá está melhor?
― Sim está – sorrindo gentilmente – não será tão frio.
“Que gentil!”
Já com a amiga e com o coquetel sendo servido antes do jantar, bebeu cerveja enquanto todas as mulheres bebiam sucos ou refrigerantes. Quase vomitou quando encheu a boca de um patê e ouvir em seguida.
― Patê de fígado de ganso senhora.
“Ai meu Deus, aquele treco que matam o bichinho de tanto comer até o fígado dele parar. Que dó.”
Queimou a língua toda com um canapé servido na frigideira, que ela jurava ser só enfeite.
― É bom? – perguntou a amiga.
― U! – foi tudo que saiu de uma língua toda sapecada por um molho quente, que saiu ao morder, escorregou pela língua e desceu quente pela garganta, a voz não saía – U!
A noite já estaria perfeita para a puta amiga, mas não pararia por aí, teria um jantar finérrimo, cheio de formalidades a serem seguidas.
Diante de uma mesa francesa, com milhões de talheres, ela se comportou como uma dama. Sorriu, foi gentil, usou tudo corretamente. Um belo homem veio conversar com ela
Educado, convidou-a para dançar.
Dançaram e conversaram por alguns instantes.
Ele pediu o telefone dela.
Ela deu um cartão, de puta, com dados do puteiro, nome de guerra, telefone pessoal e até e-mail.
Ele sorriu.
Despediram-se.
No dia seguinte, chegou ao puteiro e foi recebida por um lindo arranjo de lírios. Um livro sobre “O pequeno príncipe” e um bilhete escrito assim:
“Nem sempre a praticidade é o melhor caminho.”
Ela chorou até a chegada do primeiro cliente, e não cobrou.
Era ele, o homem da danças, dos lírios, do livro.
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Um comentário:
Amiga! Estou surpresa, como consegue passar tanta emoção através das palavras...estou sem palavras!
Bjo grande
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