Era para ser um típico encontro de aeroporto, gente chegando, gente esperando... e foi, até que provem o contrário, foi.
― Oi Amiga, quanto tempo. Por que demorou tanto? Saudades de você.
― Saudade?
― Esqueceu essa palavra também? Deixa de ser fresca e metida a esquecer o português que usou pouco lá no estrangeiro, eu sei que usou pouco qualquer idioma lá.
― Mas usei muito a língua.
Encontros. Retornos são felizes até para os deportados, em alguns casos, especialmente para esses, pela economia na passagem. Constrangimento? Esse sempre existe ao apresentar o passaporte azul. Nas bordas de qualquer carimbo que venha nele, sempre existirá em marca d’água títulos gratuitos de muambeiro, ladrão e puta, às vezes mal encaixados, outras vezes, vestindo como uma perfeita luva.
― Agora você acalma e não sai mais do seu país. Aqui já tem de tudo, não precisa buscar nada lá fora.
― Tem de tudo? Aqui não somos ninguém...
― E lá fora somos alguém, Amiga, desde quando?
― Somos, somos muito valorizadas lá fora, em especial as brasileiras.
― Tão valorizada que você está aqui de volta e nessa condição nada confortável de deportação.
― Não vamos mais falar desse assunto. Vida nova.
― Vamos parar de graça e começar a pôr as malas no táxi.
― Você não tem carro ainda? Com o tanto que trabalha não tem carro? Isso é desorganização sua.
― Cala a boca e entra no táxi.
Reencontros. Entre amigas pode ser teste de sinceridade, ou de sobrevivência a ela, com reencontros emocionantes e bons toques de crueldade, talvez pingue sangue dessas páginas.
Puta e Amiga não teriam muito assunto se não fosse a profissão; o trabalho aproxima as pessoas, e no caso delas, aproxima tanto que, às vezes, choca os olhos, as mentes, a gente não acostumada ao incomum.
― Essa é minha casinha, seja bem vinda – diz colocando a chave no porta-chaves e o casaco pendurado atrás da porta.
― Obrigada – e se joga no sofá sem cerimônia.
― Fique à vontade.
“Mas nem tanto.”
― Pretendo ficar pouco tempo, amanhã saio para ver casas e carro.
“Graças a Deus.”
― Mas casa e carro assim, logo de cara? Trouxe muito dinheiro então?
― Praticamente nenhum, mas dá para fazer tudo, ainda mais quando se chega de outro país e aqui vira rei.
“Vixi, que tá se achando”
― CALMA. Aqui freguês não dá em árvore, aliás, dá em árvore, em grama, em asfalto, mas tudo já tem dono, muita coisa mudou enquanto você esteve fora.
― Tudo muda e você acha que consegui viver esse tempo todo fora como? Trabalhando muito, eu te garanto.
Daí para abriga seriam dois pulos.
“AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, essa mania de sei tudo me mata ainda.”
― Tudo bem, eu vou dormir, tenho que dar duro amanhã e você também.
― Não vou dar duro nenhum ainda, ou você precisa que eu dê?
― Já chegou se achando a She- Ha é?
Depois disso foram dormir... JUNTAS.
― Oi Amiga, quanto tempo. Por que demorou tanto? Saudades de você.
― Saudade?
― Esqueceu essa palavra também? Deixa de ser fresca e metida a esquecer o português que usou pouco lá no estrangeiro, eu sei que usou pouco qualquer idioma lá.
― Mas usei muito a língua.
Encontros. Retornos são felizes até para os deportados, em alguns casos, especialmente para esses, pela economia na passagem. Constrangimento? Esse sempre existe ao apresentar o passaporte azul. Nas bordas de qualquer carimbo que venha nele, sempre existirá em marca d’água títulos gratuitos de muambeiro, ladrão e puta, às vezes mal encaixados, outras vezes, vestindo como uma perfeita luva.
― Agora você acalma e não sai mais do seu país. Aqui já tem de tudo, não precisa buscar nada lá fora.
― Tem de tudo? Aqui não somos ninguém...
― E lá fora somos alguém, Amiga, desde quando?
― Somos, somos muito valorizadas lá fora, em especial as brasileiras.
― Tão valorizada que você está aqui de volta e nessa condição nada confortável de deportação.
― Não vamos mais falar desse assunto. Vida nova.
― Vamos parar de graça e começar a pôr as malas no táxi.
― Você não tem carro ainda? Com o tanto que trabalha não tem carro? Isso é desorganização sua.
― Cala a boca e entra no táxi.
Reencontros. Entre amigas pode ser teste de sinceridade, ou de sobrevivência a ela, com reencontros emocionantes e bons toques de crueldade, talvez pingue sangue dessas páginas.
Puta e Amiga não teriam muito assunto se não fosse a profissão; o trabalho aproxima as pessoas, e no caso delas, aproxima tanto que, às vezes, choca os olhos, as mentes, a gente não acostumada ao incomum.
― Essa é minha casinha, seja bem vinda – diz colocando a chave no porta-chaves e o casaco pendurado atrás da porta.
― Obrigada – e se joga no sofá sem cerimônia.
― Fique à vontade.
“Mas nem tanto.”
― Pretendo ficar pouco tempo, amanhã saio para ver casas e carro.
“Graças a Deus.”
― Mas casa e carro assim, logo de cara? Trouxe muito dinheiro então?
― Praticamente nenhum, mas dá para fazer tudo, ainda mais quando se chega de outro país e aqui vira rei.
“Vixi, que tá se achando”
― CALMA. Aqui freguês não dá em árvore, aliás, dá em árvore, em grama, em asfalto, mas tudo já tem dono, muita coisa mudou enquanto você esteve fora.
― Tudo muda e você acha que consegui viver esse tempo todo fora como? Trabalhando muito, eu te garanto.
Daí para abriga seriam dois pulos.
“AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, essa mania de sei tudo me mata ainda.”
― Tudo bem, eu vou dormir, tenho que dar duro amanhã e você também.
― Não vou dar duro nenhum ainda, ou você precisa que eu dê?
― Já chegou se achando a She- Ha é?
Depois disso foram dormir... JUNTAS.
4 comentários:
Hahahaha - essas amiga que fala tudo na cara... melhor ser inimiga... pelo menos fala por trás e não te enche....
Eita que essa Amiga já chegou causando, se achando e brigando, rs.
Me pergunto até quando nossa querida Puta vai aguentar essa invasão no seu lar...jejeje
é bom te ler.
Apareça
Maurizio
Darcy Ribeiro
Aquela (puta)
Minha amada é de carne, de pele e pêlo.
Ora é negra, ora é loura, ora é vermelha.
Minha amada é três. É trinta e três.
Minha amada é lisa, é crespa, é salgada, é doce.
Ela é flor, é fruto, é folha, é tronco.
Também é pão, é sal e manga-rosa.
Minha amada é cidade de ruas e pontes.
É jardim de arrancar flores pelo talo.
Ela é boazuda e é bela como uma fera.
Minha amada é lúbrica, é casta, é catinguenta.
Minha amada tem bocas e bocas de sorver,
de sugar, de espremer, de comer.
Minha amada é funda, latifúndia.
Minha amada é ela, aquela que não vem.
Ainda não veio, nunca veio, ainda não.
Mas virá, ora se virá. A diaba me virá
Beijo moça
Postar um comentário