Se quiser putaria, vá a congressos, feiras e afins. Com a boa desculpa de reunir equipes e clientes, a putaria fica à solta. Há quem siga para território internacional, indo até a capital da vida noturna que dura 24 horas, Las Vegas, outros ficam em terras brasiles mesmo, dando um pulinho no norte e nordeste, se fartando da prostituição infantil, o que é uma VERGONHA, mas a realidade nem sempre é puritana.
― Mas lá não é reunião de executiva mulher, não vai achar nada por lá.
― Me disseram que lá tem muito gringo nessa época, então eu vou a FLIP e pronto, vou aproveitar para ganhar em dólar.
― Deu pressa de comprar o carro agora é putinha Dona Margarida?
― Não sou putinha, mas sim A PUTA, e antes que eu me esqueça: CALE A BOCA santa do pau oco, aliás, santa não, porque você não acredita nessas coisas, né?
― Cada um com sua fé, não me venha com ofensas e se quer saber... VOU TAMBÉM.
E assim seguiram, A Puta e A Amiga, para Paraty... Enquanto uns buscam livros, debates e cultura, elas buscam bons bocados, e bota bocados nisso, de lucros...
Seguiram horas a fio no balanço cansativo da estrada, caindo de um lado para o outro nas poltronas durante as curvas, se encaixavam, mas não se ralavam, só se olhavam. Chegaram à cidade de Paraty durante a madrugada e A Puta já querendo trabalhar.
― Será que tem algum bar para acharmos algum cliente há essa hora?
― Não estou com vontade de trabalhar agora, quero dormir, vamos para uma pousadinha.
― Você não entende muito dessa festa, né? – falou em meio às gargalhadas.
― Desculpa toda culta. Acho que esqueci de avisar à enciclopédia que vim apenas para trabalhar e não para estudar. Aliás, eu só vim é te fazer companhia isso sim, mal agradecida.
― Te pedi?
― GROSSA, insuportavelmente grossa, não sei como sou sua parceira.
― Será que é porque combinamos? Lady.
Discussões à parte, seguiram o som, ou seria o cheiro?
Cheiro de carne é fácil de sentir, em especial para quem tem experiência no ramo, e não é no ramo de açougues, CERTEZA.
Não havia muita bagunça, burburinho e nem gente que se preste aglomerada, apenas homens e um boneco. Elas, em trajes de viagens, passaram como damas, rebolando como damas de ancas largas, mas ainda damas. O balanço tica tica bum tica bum bum não passou desapercebido.
― Precisam de táxi moças?
― Não – A Amiga.
― Sim – A Puta.
― Afinal, precisam ou não?
― Idiota, não vai querer correr perigo aqui, né? – cochicha ressabiada A Amiga.
― Como você consegue trabalhar nisso até hoje? Eu não sei você, mas eu preciso de dinheiro e não vou perder tempo – fala acompanhando a bronca com os olhos e aumenta o tom – Sim, precisamos sim de sua ajuda por essa noite. Tem alguma cama aqui por perto?
― As pousadas estão cheias nessa época... – ele nem pôde terminar de falar, foi interrompido pela ousadia de quem está focada no trabalho.
― Sua casa também está cheia? Cabe nós duas?
― Cabe, mas será que eu dou conta?
― Se não der conta, mas PAGAR a conta, já está tudo certo entre nós.
Mesmo para quem faz charme o trabalho desperta, então deram duro por algumas horas e quando desmaiaram, seguravam firmes as notas suadas.
Ao acordar, se sentiram MULHERES. Cheiro de café no ar, copos de requeijão, bule vermelho esmaltado fumegando e broas de milho fresquinhas.
― O café é simples, mas espero que gostem.
Elas se olharam espantadas, A Amiga mais perguntadeira, solta logo:
― Aqui é litoral de São Paulo ou do Rio de Janeiro?
Enquanto o homem responde, A Puta bate na testa em desespero absoluto.
― Muita gente faz essa pergunta, é normal, mas vocês estão no Rio de Janeiro.
― Tanta gentileza é de se estranhar.
― Obrigada pelo café, mas precisamos ir – levantou puxando pela mão A Amiga – PALHAÇA. Só faltava você falar que adorou a surpresinha e que ficaria com esse carioca por mais alguns dias de graça. Que cara de boba você fez.
― Não exagerava vai. Mas bem que você poderia ter esperado ele passar referência de onde pegar novos clientes, né?
― Quero gringos e não caiçaras, só para te avisar, quero dólares.
― Só precisava falar inglês para se vender, né?
― Falo a língua universal e sei percorrer universos inimagináveis com ela, e disso você sabe bem...
Durante todo dia foram a restaurantes, bares e pousadas, espalharam por todas as partes cartões nos balcões e recepções.
― Como são educados aqui, ninguém nos expulsou dos lugares.
― Ainda não...
― Amiga, você é muito pessimista.
― E você sonhadora. ACORDA, eles ficam sem reação com nossa campanha descarada de vender o corpo enquanto eles vendem idéias.
― Hum... Acho que você pode estar certa, mas o que me importa é o resultado.
Sem nenhuma chamada no telefone, saíram para festejar e conquistar ao menos as despesas da viagem, com muito suor, ainda que debaixo de chuva. Em um restaurante conhecido da cidade, sentaram para beber um chopp e cruzar as pernas, se jogar com os olhos, enquanto se balançavam ao som de boa música. Muitos chopps depois, acabaram fazendo uma pista de dança ao lado da mesa, e isso ninguém poderia impedir, nem mesmo o dono com seu olhar recriminatório. Ao final da noite, não tinham nenhum cliente, mas 5 bilhetes na mesa; retribuíram a todos com cartões de visitas e sorrisos gentis.
Acordando com dor de cabeça e sem café na mesa, adotaram uma nova estratégia, se o lugar é um encontro de escritores, poetas e artistas... por que não usar de recursos novos?
Idéia da Puta, como não poderia deixar de ser, saíram às ruas em trajes de prostitutas de 5° categoria; vestido agarrado e justíssimo, meia fina trançada, maquiagem exagerada nos olhos e nas bochechas, e eu disse bochechas, fique atento, batom vermelho sangue. Usando o mesmo recurso que jovens espalhadas pela cidade, fizeram um tubo de papelão rígido e declamavam nos ouvidos das pessoas com voz sedutora trechos de Darcy Ribeiro:
Minha amada é de carne, de pele e pêlo.
Ora é negra, ora é loura, ora é vermelha.
Minha amada é três. É trinta e três.
Minha amada é lisa, é crespa, é salgada, é doce.
― Mas lá não é reunião de executiva mulher, não vai achar nada por lá.― Me disseram que lá tem muito gringo nessa época, então eu vou a FLIP e pronto, vou aproveitar para ganhar em dólar.
― Deu pressa de comprar o carro agora é putinha Dona Margarida?
― Não sou putinha, mas sim A PUTA, e antes que eu me esqueça: CALE A BOCA santa do pau oco, aliás, santa não, porque você não acredita nessas coisas, né?
― Cada um com sua fé, não me venha com ofensas e se quer saber... VOU TAMBÉM.
E assim seguiram, A Puta e A Amiga, para Paraty... Enquanto uns buscam livros, debates e cultura, elas buscam bons bocados, e bota bocados nisso, de lucros...
Seguiram horas a fio no balanço cansativo da estrada, caindo de um lado para o outro nas poltronas durante as curvas, se encaixavam, mas não se ralavam, só se olhavam. Chegaram à cidade de Paraty durante a madrugada e A Puta já querendo trabalhar.
― Será que tem algum bar para acharmos algum cliente há essa hora?
― Não estou com vontade de trabalhar agora, quero dormir, vamos para uma pousadinha.
― Você não entende muito dessa festa, né? – falou em meio às gargalhadas.
― Desculpa toda culta. Acho que esqueci de avisar à enciclopédia que vim apenas para trabalhar e não para estudar. Aliás, eu só vim é te fazer companhia isso sim, mal agradecida.
― Te pedi?
― GROSSA, insuportavelmente grossa, não sei como sou sua parceira.
― Será que é porque combinamos? Lady.
Discussões à parte, seguiram o som, ou seria o cheiro?
Cheiro de carne é fácil de sentir, em especial para quem tem experiência no ramo, e não é no ramo de açougues, CERTEZA.
Não havia muita bagunça, burburinho e nem gente que se preste aglomerada, apenas homens e um boneco. Elas, em trajes de viagens, passaram como damas, rebolando como damas de ancas largas, mas ainda damas. O balanço tica tica bum tica bum bum não passou desapercebido.
― Precisam de táxi moças?
― Não – A Amiga.
― Sim – A Puta.
― Afinal, precisam ou não?
― Idiota, não vai querer correr perigo aqui, né? – cochicha ressabiada A Amiga.
― Como você consegue trabalhar nisso até hoje? Eu não sei você, mas eu preciso de dinheiro e não vou perder tempo – fala acompanhando a bronca com os olhos e aumenta o tom – Sim, precisamos sim de sua ajuda por essa noite. Tem alguma cama aqui por perto?
― As pousadas estão cheias nessa época... – ele nem pôde terminar de falar, foi interrompido pela ousadia de quem está focada no trabalho.
― Sua casa também está cheia? Cabe nós duas?
― Cabe, mas será que eu dou conta?
― Se não der conta, mas PAGAR a conta, já está tudo certo entre nós.
Mesmo para quem faz charme o trabalho desperta, então deram duro por algumas horas e quando desmaiaram, seguravam firmes as notas suadas.
Ao acordar, se sentiram MULHERES. Cheiro de café no ar, copos de requeijão, bule vermelho esmaltado fumegando e broas de milho fresquinhas.
― O café é simples, mas espero que gostem.
Elas se olharam espantadas, A Amiga mais perguntadeira, solta logo:
― Aqui é litoral de São Paulo ou do Rio de Janeiro?
Enquanto o homem responde, A Puta bate na testa em desespero absoluto.
― Muita gente faz essa pergunta, é normal, mas vocês estão no Rio de Janeiro.
― Tanta gentileza é de se estranhar.
― Obrigada pelo café, mas precisamos ir – levantou puxando pela mão A Amiga – PALHAÇA. Só faltava você falar que adorou a surpresinha e que ficaria com esse carioca por mais alguns dias de graça. Que cara de boba você fez.
― Não exagerava vai. Mas bem que você poderia ter esperado ele passar referência de onde pegar novos clientes, né?
― Quero gringos e não caiçaras, só para te avisar, quero dólares.
― Só precisava falar inglês para se vender, né?
― Falo a língua universal e sei percorrer universos inimagináveis com ela, e disso você sabe bem...
Durante todo dia foram a restaurantes, bares e pousadas, espalharam por todas as partes cartões nos balcões e recepções.
― Como são educados aqui, ninguém nos expulsou dos lugares.
― Ainda não...
― Amiga, você é muito pessimista.
― E você sonhadora. ACORDA, eles ficam sem reação com nossa campanha descarada de vender o corpo enquanto eles vendem idéias.
― Hum... Acho que você pode estar certa, mas o que me importa é o resultado.
Sem nenhuma chamada no telefone, saíram para festejar e conquistar ao menos as despesas da viagem, com muito suor, ainda que debaixo de chuva. Em um restaurante conhecido da cidade, sentaram para beber um chopp e cruzar as pernas, se jogar com os olhos, enquanto se balançavam ao som de boa música. Muitos chopps depois, acabaram fazendo uma pista de dança ao lado da mesa, e isso ninguém poderia impedir, nem mesmo o dono com seu olhar recriminatório. Ao final da noite, não tinham nenhum cliente, mas 5 bilhetes na mesa; retribuíram a todos com cartões de visitas e sorrisos gentis.
Acordando com dor de cabeça e sem café na mesa, adotaram uma nova estratégia, se o lugar é um encontro de escritores, poetas e artistas... por que não usar de recursos novos?
Idéia da Puta, como não poderia deixar de ser, saíram às ruas em trajes de prostitutas de 5° categoria; vestido agarrado e justíssimo, meia fina trançada, maquiagem exagerada nos olhos e nas bochechas, e eu disse bochechas, fique atento, batom vermelho sangue. Usando o mesmo recurso que jovens espalhadas pela cidade, fizeram um tubo de papelão rígido e declamavam nos ouvidos das pessoas com voz sedutora trechos de Darcy Ribeiro:
Minha amada é de carne, de pele e pêlo.
Ora é negra, ora é loura, ora é vermelha.
Minha amada é três. É trinta e três.
Minha amada é lisa, é crespa, é salgada, é doce.
[...]
Minha amada é funda, latifúndia.
Minha amada é ela, aquela que não vem.
Ainda não veio, nunca veio, ainda não.
Mas virá, ora se virá. A diaba me virá
[...]
E ao final, entregavam seus cartões.
Quase apanharam algumas vezes, mas houve momentos que usaram muito bem o tubo de papelão, também as mãos, os ouvidos... Afinal muitos poetas estavam à solta querendo explorar todos os ângulos da arte.
― ACABOU. Você não conseguiu muitos dólares como previa, mas com esse dinheiro já consegue pagar à vista o seguro, emplacamento e IPVA do seu carro.
― De verdade? O mais importante de tudo foram os livros em frances.
― BEBEU? Você nem sabe falar francês, ANTA.
― Mas pelo Atiq eu até aprenderia.
― XIU. Vamos seguir a ética profissional, por favor. E agradeçamos ao nosso bom e eterno pai por mais essa vitória.
― São Jorge, obrigada pela conquista dessa viagem. Pai nosso que estás no céu...
Minha amada é funda, latifúndia.
Minha amada é ela, aquela que não vem.
Ainda não veio, nunca veio, ainda não.
Mas virá, ora se virá. A diaba me virá
[...]
E ao final, entregavam seus cartões.
Quase apanharam algumas vezes, mas houve momentos que usaram muito bem o tubo de papelão, também as mãos, os ouvidos... Afinal muitos poetas estavam à solta querendo explorar todos os ângulos da arte.
― ACABOU. Você não conseguiu muitos dólares como previa, mas com esse dinheiro já consegue pagar à vista o seguro, emplacamento e IPVA do seu carro.
― De verdade? O mais importante de tudo foram os livros em frances.
― BEBEU? Você nem sabe falar francês, ANTA.
― Mas pelo Atiq eu até aprenderia.
― XIU. Vamos seguir a ética profissional, por favor. E agradeçamos ao nosso bom e eterno pai por mais essa vitória.
― São Jorge, obrigada pela conquista dessa viagem. Pai nosso que estás no céu...
5 comentários:
Ainda bem que eu li antes o seu post no outro blogue.
Assim, percebi melhor o "enquadramento".
Vc aproveitou muito bem o evento... e a sua crónica é, como habitualmente, soberba.
Um beijo, querida amiga.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, eu tb quero pegar o Atiq, hahahaha.
Puta com cartão de visita e tudo hein, a bixinha anda sabendo como se promover, :P
Sempre a inteligência e o humor na maestria das imagens de letras e palavras. Bom andar por aqui. Abs
ººº
Gostei do que li
Voltarei...
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